LIVRE: EXEMPLOS EM ABERTO. LEIA PARA VER DE QUE TRATA O SERVIÇO

      ANÁLISES SEMANAIS ACRESCENTADAS

      (quatro mil palavras)


      8-12-1998. Análise da semana de 30 de Novembro a 6 de Dezembro de 1998 do Serviço Analítico-informativo da REDE BASCA VERMELHA

      A MAIORIA ABERTZALE UNIRÁ-SE PARA GOVERNAR A COMUNIDADE AUTÓNOMA BASCA. Os espanhóis, que nom sabem perder, protestam e ameaçam. O Presidente do Governo espanhol continua a delinquir. O diário GARA, que substituirá EGIN e a FEIRA DE DURANGO exemplos da vitalidade cultural, social e política do rebelde povo basco.


      Marx tinha razom. O Capitalismo tem causado a maior acumulaçom de miséria da História. O maior número de pobres. Na Quarta-feira a UIP e a FAO denunciárom que O MUNDO SOFRE A PIOR VAGA DE FAME DA SUA HISTÓRIA. Som 800 milhons de seres humanos quem passam fame hoje no mundo.

      Essa denúncia da vaga de fame figérom-na na Quarta-feira dia 2 na Conferência em que participárom em Roma deputados dos países que integram a Uniom Interparlamentar (UIP). Conferência auspiciada pola Organizaçom das Naçons Unidas para a Agricultura e a Alimentaçom (FAO).

      Insistamos. Insistamos. Face à alienaçom, face aos cantos de sereia consumista, face ao falsificador bombardeio de dezenas de milhares de spots televisivos que todos os anos nos mostram a FALSA e inacreditável abundáncia, a FALSAMENTE (APARENTEMENTE) ASEQUÍVEL riqueza que o mercado capitalista nos oferece. Face a todos esses enganos insistamos com as cifras, os dados duros: O TRIUNFO MUNDIAL DO CAPITALISMO TEM CRIADO O MAIOR NÚMERO DE MISERÁVEIS, DE POBRES, DE FAMENTOS DE TODA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE.

      Cumpre fazermos um esforço de informaçom e de clarificaçom. No Sul de Euskal Herria há gente, demasiada, que sofre as pancadas de miséria. Mas há também muita mais gente do que essa que vive certamente os prazeres e o benestar que o esbanjamento, o malbaratamento e a brutal desigualdade capitalistas permitem à minoria capitalista planetária (15/20%) da Humanidade) mercê da miséria e o sofrimento de quatro mil e oitocentos milhons de explorados. Muitas bascas e bascos NOM VEM a miséria e a dor que o capitalismo produz porque pertencem à minoria que desfruta do resultado da exploraçom das massas planetárias. Há que lhes abrir os olhos.

      Entre outras cousas porque a barbárie capitalista é tal que também vai prejudicar os exploradores.

      Marx tinha razom. Na Terça-feira, na abertura da Cimeira Mundial Contra a Desertificaçom que se celebra em Dakar, informou-se de que HOJE som 250 milhons de pessoas as atingidas polo fenómeno. E QUE SERÁM MAIS DE MIL MILHONS SÓ DENTRO DE 25 ANOS.

      Quase a metade (43%) do território do Estado espanhol acha-se atingido polo fenómeno. A desertificaçom é um dos males que causam maior sofrimento ao ser humano. E JÁ TEM GERADO o aparecimento de umha nova categoria social de PÁRIAS: dez milhons de REFUGIADOS AMBIENTAIS, que por causa desta catástrofe netural tivérom que abandonar o lugar onde moravam. Catástrofe natural mas em cuja magnitude e aceleraçom tem feroz responsabilidade o capitalismo que tem destruído insensatamente bosques e tem alterado o clima.

      O acima citado som apenas dous dos muitos efeitos daninhos letais, do Capitalismo. O Capitalismo está já inserido na crise sistémica, mundial e final. A causa dessa crise é –Wallerstein dixit— a acumulaçom das suas contradiçons internas de modo que será já impossível que o sistema se reproduza a si próprio. As contradiçons ínsitas no próprio design do sistema, do Modo de Produçom Capitalista, tenhem crescido, tenhem-se reproduzido, tenhem chegado até um ponto em que já nom podem manter-se, explicou-nos bem clarinho Wallerstein. Chegárom ao ponto em que os ajustes necessários para manter o funcionamento normal do sistema teriam um custo tam alto que nom poderiam devolvê-lo a um estado de equilíbrio sequer temporal.

      Que o monstro capitalista tenha os anos contados (15?, 25?, 50?) nom garante –explicou-no-lo também muito bem Wallerstein— que o que o suceda seja melhor. E nom consolará nada a quem sofram os brutais efeitos das últimas pancadas de aquele monstro. As pancadas dessa crise que suponhem, por exemplo, a desnacionalizaçom. Que suponhem a HomoCocaColizaçom. Que suponhem a uniformiaçom dos seres humanos para os explorar melhor.

      Esta mesma semana ouviu-se a voz de um catedrático especializado em genética, reproduçom e biologia do desenvolvimento fijo umha terrível denúncia: "o capitalismo combinado com os avanços da biotecnologia DESTRUIRÁ A HUMANIDADE". "A raça humana dividirá-se em duas espécies". "Apenas as classes acomodadas terám acesso a umha descendência geneticamente melhor e abrirá-se ainda mais o abismo entre ricos e pobres". O catedrático ianque da Universidade de Princeton Lee M. Silver divulgou-no na sua recente obra VOLTA AO EDÉM (editoria Taurus).

      Eis o motivo porque a consecuçom de um Estado próprio devem tam vital para as naçons ainda sem Estado. Porque o Estado próprio é a ferramenta imprescindível, embora nom suficiente, para que umha naçom defenda a sua sobrevivência. E poda defender mulheres e varons da superexploraçom capitalista que ameaça.

      E por isso é tam importante para o povo basco o que aconteceu nesta semana: que já se sabe que A MAIORIA ABERTZALE (PNB, HB e EA) SE UNIRÁ POLA PRIMEIRA VEZ PARA GOVERNAR NA COMUNIDADE AUTÓNOMA BASCA. E para transitar pola rota que marca a Declaraçom de Lizarra-Garazi. O Acordo de Lizarra-Garazi que catapulta o povo de Euskal Herria para lançar-se a recuperar a sua soberania e mudar a sua vida.


      A MAIORIA ABERTZALE UNIRÁ-SE PARA GOVERNAR A COMUNIDADE AUTÓNOMA BASCA. Os espanhóis, que nom sabem perder, protestam e ameaçam.
      Repito. A grande nova da semana passada foi o descarte final do PSE-PSOE como candidato a fazer parte do novo Governo da Comunidade Autónoma Basca. Se alguém nom sabe o que é o PSE-PSOE aqui tem umha rápida definiçom: é a sucursal basca do partido espanhol onde os ladrons de fundos públicos som aclamados como heróis (cada Sábado vam a Guadalajara aclamar Barrionuevo e Vera que, para além de ladrons, som torturadores e assassinos).

      Essa grande nova era-o em si mesma e porque supunha o começ das gestons para configurar um governo nacionalista basco com participaçom de PNB, HB e EA.

      A capa do jornal peneuvista DEIA da Quinta-feira 3 intitulava a quatro colunas precisamente com umha frase muito semelhante a como intitulo esta análise: "A MAIORIA ABERTZALE UNIRÁ-SE POLA PRIMEIRA VEZ PARA GOVERNAR. Roto ontem o diálogo PNB-PSE Ibarretxe perfila já as suas reunions com EA e EH".

      Os espanhóis (que nom sabem perder) protestam, mentem e falseiam e ameaçam. O artigo do director de DEIA da Sexta-feira 4, intitulado ÁMBITO OU DEMOCRACIA, referia-se a essa pateada espanhola e ao que significa. Dizia que: "Agora é o próprio termo "ámbito de decisom basco" o que é empregue como arma arrojadiça, sendo na realidade o causante de impossibilitar o acordo entre o PNB e PSE para a formaçom do governo". O directo de DEIA, sem dúvida, dizia respeito a um artigo do "guru" antibasco de EL PAIS, Javier Pradera, embora sem citá-lo. Publicado na Quarta-feira 2 sob o título de "ÁMBITOS DE DECISOM", falava de que "a imposiçom desse ÁMBITO BASCO DE DECISOM defendido pola Declaraçom de Estella é umha condiçom de impossível cumprimento para os socialistas".

      O director de DEIA assinalava com lucidez que "NO FUNDO O ASSUNTO PASSA POR APLICAR A ESTRITA DEMOCRACIA, QUER SE CHAME ESTA COMO SE CHAMAR NOS ESCRITOS OU NOS DISCURSOS PÚBLICOS. Democracia significa aceitar as decisons da maioria, nom podendo-se chamar democrata aquele que fai caso omisso à mesma".

      Eis o problema. O problema é que os partidos nacionalistas bascos (PNB, HB, EA) somárom maioria absoluta de votos e escanos nas eleiçons de 25 de Outubro. Maioria absoluta que se amplia se acrescentamos os partidos democratas bascos (os três nacionalistas bascos mais IU-EB). Essa vitória é a que os espanhóis nom respeitam.
      Vamos lá ver os seus ex-abruptos contra o suposto Governo PNB/EA com apoio parlamentar de EH.

      Quarta-feira 2, em EL MUNDO, artigo de Federico Jiménez Losantos intitulado ETA GOVERNA. Frases finais. "Ibarretxe vai ser o presidente desse governo que forma ETA. E nom o forma de graça. Pagaremo-lo todos."

      Quinta-feira 3, em LA ESTRELLA DIGITAL, artigo de Pablo Sebastián intitulado PNB: TODO POLA PÁTRIA. Frase: "a imagem e a estabilidade do governo de Ibarretxe (que veremos o que dura) vai depender de EH, quer dizer de ETA".

      Sexta-feira 4, em LA RAZON, artigo de Julián Lago intitulado METAMORFOSE DO TERROR. Frase: "no País Basco já nom existe o Estatuto de Guernica e a Constituiçom como fontes inspiradoras de legitimaçom democrática nengumha: hoje por hoje ELES som quem mandam."

      Sábado 5, em LA RAZÓN, artigo de Luís María Anson intitulado GANÓ ARZALLUS.Frase: "a desmembraçom de Espanha é um fantasma que se agita ao fundo". Em ABC, artigo de José María Carrascal intitulado GOVERNO BASCO. Frase: "quem leva a voz cantante entre os nacionalistas som HB, EH ou, se o querem, ETA.".

      Domingo 6, em EL MUNDO, debate leitores: 51% dim que o Governo nacionalista pode prejudicar o convívio no País Basco. Em LA RAZÓN, artigo de Luís Maria Anson intitulado A DESMEMBRAÇOM DE ESPANHA. Primeiras frases: "Se o PP,se o PSOE, nom obtiverem maioria absoluta nas próximas eleiçons gerais e precisam para governarem dos escanos de um ou vários partidos nacionalistas, continuaremos a assistir, como acontece desde 1993, a umha política genuflexa, obrigada a concessons cada dia maiores, na fronteira com a desagregaçom aos poucos de Espanha". Em El Diario de Navarra, artigo intitulado "ARZALLUS CUMPRE COM HB E ETA". Primeiras frases: "Xavier Arzallus e Joseba Egibar som gente de palavra e fôrom fiéis aos compromissos adquiridos com ETA e HB. Em Euskadi teremos um governo nacionalista formado por PNB e EA mas sobre o que terá o controlo verdadeiro Euskal Herritarrok."

      Essa linguagem é, mais umha vez, a do JORNALISMO DE GUERRA. Esses jornalistas falam como o orate Pablo Mosquera, secretário geral de Unidade Alavesa que no Sábado 5 assegurou que se o governo basco se configura com o apoio de EH será "PERIGOSÍSSIMO E UM BARRIL DE PÓLVORA que em qualquer momento pode estourar".

      Jornalismo de guerra. Como o corrobora a presença de outro signo típico do jornalismo de guerra: a falsificaçom dos dados.


      O historiador Tusell falsifica dados. LA VANGUARDIA magnifica um grotesco inquérito para falsificar a realidade
      O historiador Javier Tusell exerce de medíocre jornalista e turiferário do poder em EL PAÍS. No Sábado 5 publicou um artigo intitulado MAU COMEÇO. Naturalmente dedicado a lamentar o fracasso da tentativa do PSE-PSOE de voltar ao governo da CAB. Os pró-homens do PSE dixérom que a sua tentativa era "moderar" os nacionalistas para que deixassem de sê-lo, para que renunciassem às suas ideias de Euskadi como pátria basca.

      A mágoa é que para defenderem os seus interesses Tusell se dedique a falsear os dados. Dados recentemente publicados, aliás. Di Tusell: "no momento actual o ponto de partida para umha possível soluçom é muito pior do que no Ulster. Ali votou em contra do acordo de paz 28% e no País Basco A DIVISOM PODE PRODUZIR-SE EM DUAS METADES IDÊNTICAS".

      Os partidos democratas bascos assinantes do Acordo de Lizarra somárom no 25 de Outubro passado 754.922 votos, SESSENTA COM QUATRO POR CENTO (60,4%) DO TOTAL. Face a só 495.943 votos (39,6%) somado polos partidos violentos espanholistas (PP, PSOE, UA e os três extraparlamentares).

      Como pode Tusell falar em divisom EM METADES IDÊNTICAS? Mentindo como um velhaco.

      Um outro abracadabrante exemplo de como é que que se pode fasificar a realidade deu-no o jornal espanholista e felipista LA VANGUARDIA no passado Domingo 6. Com grosseira desvergonha, com prepotência e ousadia de embusteiro experimentado, com a serenidade de quem sabe que se dirige às massas imbecilizadas do Estado espanhol LA VANGUARDIA mente na sua capa. Mente em preto e branco e em cores. Em preto e branco, a toda página, na sua capa sobressai este cabeçalho: "Mais de 65% dos bascos apoia a Constituiçom".

      Em cores coloca três gráficos "de torta" para representar que a resposta à pergunta "É você a favor da Constituiçom ou em contra?" soma 83,4% a favor no conjunto do Estado espanhol, 77,8% na Catalunha e 65,5% na Comunidade Autónoma Basca.

      A desvergonha, a vigarice, o engano que com essa capa consuma A VANGUARDIA vem evidenciada polo facto de esses dados terem sido proporcionados ao jornal por um inquérito realizado polo INSTITUTO OPINA, que é o que "cozinha" inquéritos ao Grupo Godó. E POLO FACTO DE QUE ESSE INQUÉRITO FOI TELEFÓNICO E A SÓ UMHA MOSTR DE MIL (1.000) PESSOAS.

      Ora, o censo eleitoral da Comunidade Autónoma Basca representava só 5,57% do censo eleitoral global do Estado espanhol nas últimas eleiçons gerais (as de 1996). Isso quer dizer que o Instituto OPINA fijo 56 (CINQÜENTA E SEIS) entrevistas na C.A.V. 56 entrevistas som só 5,57% de 1.000. Com a margem de erro de umha submostra de 56 entrevistas o alarde da capa envergonharia um estudante de 1º de Sociologia. Mas, além disso, as entrevistas fôrom telefónicas. Com a ínsita dificuldade desse tipo de entrevistas para garantir o cumprimento das quotas de umha mostra por quotas como nom dim que foi esta. E com a definitica dificuldade para com só 56 entrevistas poder desenhar umha mostra representativa de umha populaçom tam complexa como a basca. Poupo a quem me lêm o longo repertório de reparos técnicos que merece o inquérito de LA VANGUARDIA.

      Mesmo um medíocre inquérito que fam professores espanholistas em Euskal Herria nom se atreveu no passado verao de 1998 mais do que a "sacar" que 46% dos bascos da C.A.B. votariam sim à Constituiçom.

      Mas assim som os falsários jornalistas espanhóis de hoje, tam envilecidos como os do franquismo. Um falsifica a realidade e os mais trombeteam-na como se fosse a verdade revelada. Eu aplaudo a tua mentira hoje para que amanhá tu aplaudas a minha.

      O problema é que acreditam nas suas próprias mentiras. E "analisam" a realidade basca em funçom das mentiras que à volta dela fabricam. Nom importaria demasiado se nom fosse que os seus pobres alienados concidadaos os acreditam e vivem por isso num mundo falso e fantasmagórico. E porque o seu brutal e fascista governo se apoia nessas mentiras para justificar as suas iníquas actuaçons.

      Porque pior ainda que as palavras espanholas som os actos espanhóis contra as bascas e os bascos. Delitivos hoje como ontem.


      O Presidente do Governo espanhol continua a delinquir. O Tribunal Constitucional continua impávido perante a iníqua situaçom da Mesa Nacional de HB. O fascista juiz Garzón continua a sua inumana tarefa.
      No passado Domingo 6 em LA ESTRELLA DIGITAL sob a assinatura/pseudónimo "O CONSPIRADOR" publicou-se um artigo intitulado "El borrón y cuenta nueva". O seu segundo parágrafo merece ser citado e ser comentado.

      Di assim:

      "Um embaixador de França em madrid dixo-me umha vez, depois de umha longo conversa sobre as quotas de representatividade e garantias do sistema político espanhol: "Espanha nom é umha democracia, mas para os espanhóis nom está nada mal". Há já bem anos um chefe de gabinete do ex vicepresidente da Comissom Europeia, Sir Cristopher Soames (genro de Chuschill), dixo-me em Bruxelas no decurso de um jantar onde se falava do franquismo (entom imperante na Espanha), "os povos tenhem, às vezes, os regimes que merecem". Em ambas as ocasions nom pudem ocultar nem a minha indignaçom, pola ofensa global que se nos fazia aos espanhóis, nem o meu pesar porque ambos os dous tinham parte de razom".

      Nom "parte de razom". TODA a razom. Espanha nom é umha democracia mas, para muitos condescendentes estrangeiros e para grande parte das suas classes dominantes, demasiado bom Estado de semidireito, de semidemocracia, de semitudo tenhem uns espanhóis convertidos em gado e atemorizados, com o pánico metido nos ossos e as neurónias por quarenta anos de brutal castraçom mental a ferro e fogo e genocídio realizada por umha feroz ditadura.

      Recomendo repassar a nossa secçom sobre a GUERRA SUJA que Espanha fai a Euskal Herria para refrescar a memória das conseqüências que a bascas e os bascos pagamos por esse DÉFICE DEMOCRÁTICO do Estado espanhol.

      Congruentemente, o que aconteceu a semana passada e tornará a acontecer esta é o Presidente do Governo de Espanha continua a delinquir. Continua a violar a lei espanhola e a Constituiçom e a espezinhar a vontade do parlamento e o povo bascos mantendo a inumanidade e ilegalidade da dispersom dos prisioneiros políticos bascos. Há algo mais de um mês dediquei a análise datada em 3 de Novembro ao terrível asunto dos pútridos cárceres espanhóis e à violaçom espanhola da Lei no seu trato aos prisioneiros políticos bascos. A ferocidade espanhola fai com que o dito há mais de um mês valha para hoje.

      Ainda mais... O Tribunal Constitucional continua com lentitude de paifoco ou de dependente bem mandado a adiar a soluçom da iniqüidade do encarceramento da Mesa Nacional de HB. Injusto e inconcebível numha democracia que o fosse de verdade. Vários milhares de pessoas participárom no Sábado 5 nas mobilizaçons convocadas por Herri Batasuna ao cumprir-se um ano desde que foi iniquamente encarcerada a anterior Mesa Nacional de HB. Algo que, como dixo Jon Idígoras, "apenas acontece na Turquia e na "democrática" Espanha dos Borbons". Há umhas semanas emitiu-se em televisons do Estado um programa da BBC que incluía umha entrevista com ETA. Ninguém ingressou na cadeia por isso. Mas a Mesa Nacional de HB continua encarcerada pola emissom de um vídeo que divulgava umha oferta de paz de ETA. Viva a Justiça espanhola!

      Quiçá o mais difícil de suportar de todos os factos terríveis que Espanha deita cada dia sobre Euskal Herria seja saber que os funcionários espanhóis continuam a amparar, proteger e encobrir aqueles que realizavam a horrenda funçom de torturar as bascas e os bascos. Recomendo forçar-se a ler (digo forçar-se porque a dureza dos factos relatados torna difícil continuar a ler) os testemunhos de torturados que figuram na Secçom A GUERRA SUJA QUE ESPANHA FAI A EUSKAL HERRIA citada acima.

      E depois de lidos, cumpre exigir a um próprio dar-se conta de que ISSO CONTINUA A ACONTECER HOJE. Hoje Quinta-feira 4 membros de Gestoras Pró-Amnistia e familiares de denunciantes de torturas reunírom-se com responsáveis do Departamento de Justiça do Governo da Comunidade Autónoma Basca. Figérom-no para entregar-lhes 96 (NOVENTA E SEIS) testemunhos de cidadaos bascos que afirmam terem sido torturados neste ano de 1998. E para comunicar-lhes as suas propostas para erradicar a tortura. Propostas tam elementares como colocar cámaras de vídeo nas esquadras ou contar com comissons judiciárias quando se produzirem detençons.

      O problema continua a ser que a imensa maioria do aparelho estatal espanhol concernido polo problema das torturas está podre. Exemplo: na passada Quarta-feira 2 em Bilbo umha miserável, a forense da Audiência Nacional Leonor ladrón de Guevara (de triste reputaçom pola falta de rigor dos seus relatórios),avalou perante a Audiência de Bizkaia a versom inacreditável e contraditória dos guardas civis que negavam terem torturado Juán Ramón Rojo, Paco Palacios e Xabier Agirre.

      Resulta-nos, repito, insuportável às bascas e os bascos a falsia, a cumplicidade cobrada dos fundos reservados e a brutal hipocrisia dos jornalistas espanhóis perante o feroz assunto da tortura espanhola às bascas e os bascos. Os miseráveis jornalistas de EL MUNDO, por exemplo. Este passado Domingo 6, no nº 164 do seu semanal CRÓNICA, publicam (com grande alarde tiporgráfico na capa mais à frente em duas páginas completas) o que intitulam O ESCALOFRIANTE RELATO DE UMHA TESTEMUNHA DE GARZÓN. Onde relatam com pormenores muito gráficos, muito crus e muito minuciosos as torturas perpetradas pola polícia chilena de Pinochet. Vim um companheiro de Gestoras pró-Amnistia bater com o punho na mesa sobre esse suplemento enquanto maldizia lembrando as vezes que EL MUNDO tem silenciado os terríveis detalhes de denúncias de torturas ou mesmo a mesma denúncia.

      Esta mesma semana passada houvo exemplos dessas ocultaçons e desses silêncios. DEIA e EL CORREO ESPAÑOL informárom na Sexta-feira 4 da reabertura do "caso Elejalde". O caso das torturas que, mentindo descaradamente, negou com desvergonha o ministro Mayor Oreja no Parlamento espanhol.

      DEIA nom cita nengum pormenor das torturas ou os danos. EL CORREO limita-se a citar "lessons timpánicas e orbiculares". Apenas EUSKADI INFORMACIÓN detalha que:

      "nos dias 11 e 12 de Março, os médicos comprovárom que Elejalde apresentava hematomas nos olhos, os braços, a regiom lumbar, joelhos, rotura do tímpano direito, erosons na regiom cervical, contractura vertebral e erosons na face. No dia 13 tivo que ser ingressado em Urgências no Hospital de Arntzazu, de Donostia e no 14 foi examinado no Hospital Gregorio Marañón de Madrid, onde lhe apreciárom, aliás, a fractura de quatro apófises transversas e policontusons".

      Devém muito difícil aguentar com serenidade que umha jornalista espanhola chamada Pilar Cernuda, servil alto-falante dos sucessivos ministros do interior, publique neste passado Domingo na página 24 de LA RAZÓN um pequeno artigo intitulado CHANTAGEM, COACÇOM... em que destila este ignóbil parágrafo:

      "estranha que nunca (os batasunos) pugessem o grito no céu pola morte de Ignacia Ceberio quando os ertzainas entrárom no andar em que se escondia, e no entanto organizassem umha grave polémica polas arranhadelas de Elejalde, apanhado por dous guardas civis instantes depois de cometer um atentado".

      Qualquer pode tornar a ver três parágrafos atrás o que esta indivídua chama "arranhadelas" de Elejalde. Que, por certo, NOM FOI apanhado por guardas civis. Mas o que é repugnante é acussar-nos de nom termos protestado pola execuçom extrajudiciária de Ina. Eu próprio dediquei ao tema a análise da semana de 1 a 7 de Junho. O seu título foi: "A INA ZEBERIO. FAÇANHAS DA ERTZAINTZA: crivar abertzales e queimar ikurriñas. História de duas: morrer por Euskal Herria, matar por Espanha".

      Análise que precisamente polo significativo do assunto ESTÁ PUBLICADO EM ABERTO NA NOSSA WEB. Percebe-se que infinito despreço nos provocam aos bascos estes txakurras da pena?

      O juiz fascista Garzón tem dado mostras da sua inumana crueldade: rejeitou pedidos de excarceramento do prisioneiro político basco Ramón Uranga, ex conselheiro delegado de ORAIN S.A. (empresa editora de EGIN). Rejeitou-nos na Sexta-feira 27 horas depois de os familiares se terem alarmado ante o pioramento. Uranga entrou em coma no Domingo quando continuava vigiado por polícias. Garzón deixou-no em liberdade provisória na Segunda-feira. Uranga continuava em coma(del que felizmente ha salido ya aunque siga muy grave).


      O contraste entre uns corruptos e a límpida ofensiva da gente basca pola sua soberania
      Durante esta semana acumulárom-se as provas de que o bando de ALI BABA Felipe González e os seus quarenta mil ladrons do PSOE realizou umha orgia sem freio de enganos, fraudes, subornos e roubos a mancheias dos fundos públicos da Espanha durante os "fastos de 1992". Milhares e milhares de milhons. Filesa, Expo de Sevilha, o AVE, deputados, o amigo íntimo do PSOE González. E o saqueio dos fundos públicos. O PSOE semelha ter ganhado o campeonato mundial de corrupçom da Internacional Socialdemocrata. O bando de ladrons do PSOE González semelha ter roubado mais e melhor do que a de Craxi ou de Carlos Andrés Pérez ou a dos franceses Mitterrand e o seu mariáchi.

      PSOE: torturadores e assassinos, organizadores do "esquadrom da morte" chamado GAL, ladrons, enganadores, subornadores,...Esta gentualha chefiada por Felipe González suja cada dia o nome do socialismo. E as suas sucursais em Euskal Herria permitem-se ainda dizer que querem fazer política.

      Face a tanta imundice espanhola o povo basco avança com nítida decisom. Nom se trata apenas desse Governo abertzale que vai avançar para a soberania. Trata-se, por exemplo, do diário GARA, que substituirá EGIN. E da FEIRA DE DURANGO som exemplos da vitalidade cultural, social e política do rebelde povo basco.

      O projecto de FEIRA DIGITAL que se apresentou em Durango é, aliás, exemplo de que o povo-naçom mais antigo da Europa tem a flexibilidade e perspicácia necessárias para adquirir e usar as mais modernas tecnologias. A FEIRA DE DURANGO tem anunciado que se lança a realizar a migraçom colectiva de todos os seus participantes para o espaço-tempo de Internet.

      É um bom agoiro da outra GRANDE MIGRAÇOM temporal do povo inteiro de Euskal Herria: a um dia em que todos, ao alçarmos a vista, vejamos a liberdade e a soberania de Euskal Herria.

      Essa migraçom colectiva, em auzolan, já principiou.

      Justo de la Cueva


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